As desventuras do Doutor Miranda, um respeitável senhor que perde as estribeiras depois da terceira dose

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Segunda-feira, Agosto 06, 2007

De mudança

Meus caros, troquei de endereço.

Doravante, aos que quiserem marcar consulta, fineza endereçar-se aqui


Segunda-feira, Abril 30, 2007

NOVIDADE

Meus caros, a partir de hoje, começa uma nova era na Internet. Enfim, nem tanto, mas está no ar o Armazém de Música Pontecial, blog em parceria deste que vos escreve junto com o jornalista e mestre dos magos Bernardo Esteves, dono do sítio vinculado aí do lado esquerdo sob o singelo epíteto de Bernilton.

A proposta do blog ad quæstio é de sugerir repertórios temáticos inusitados para seus Ipods, Winamps, Itunes, etc. e tal. Com a particularidade ímpar de evitar o uso do etc. A partir de hoje, o intuito é o de sempre agregar, somar, adicionar, juntar, acrescer, etc., uma música (ou várias) às listas propostas, sem usar o etc. O Bernardo vai dar o mote das primeiras listas, para vocês irem pegando o jeito. Depois, quem quiser propor seus próprios critérios, sentir-se-á à vontade para tanto.

Então, todos a postos. Vão clicando no link acima ou no ArMuPo aí da esquerda. Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta!


Segunda-feira, Abril 23, 2007

Contribuição ao Circuito dos Refrigerantes Underground

Então, macacada, o Circuito dos Refrigerantes Underground (doravante, o CRU) ganhou um correspondente de peso. O Rafael (vide link "Fly" ao lado esquerdo) é um rapaz do mundo, que passa seus dias explodindo canos e viajando pela nossa Terra, planeta água. Em seus deslocamentos constantes, o incansável Fly El sempre encontra tempo de passar na mercearia da esquina e trazer para a degustação geral da Secretaria Européia do CRU novos espécimes das bebidas borbulhantes mais bizarras do planeta. Com vocês, uma pequena lista comentada dos exemplares recentemente incorporados ao repertório da SEu-CRU (tem um "r" aí no meio; pode parar de rir, mente poluída).

Rubicon de Goiaba

A Rubicon seria uma espécie de DelValle inglesa, só que com a alma 100% vendida ao capeta. Ora, eles não se contentam em apresentar aos súditos da rainha sucos de frutos exóticos, eles fazem versões sparkling drink de sucos de frutos exóticos. E entopem os sucos de frutos exóticos de açúcar e gás. Ou seja, transformam os sucos de frutos exóticos em refri. O que justifica sua inclusão na presente lista. É realmente esquisito beber um refri de goiaba. Mais esquisito ainda deve ser beber um refri de Romã, de Lichia ou de Guanábano (que é uma fruta exótica até para nós, brasileiros), outros sabores disponibilizados, conforme vocês poderão ver no site acima. Pena que o xarope de rosas deles não tenha versão com bolhinhas. Em todo caso, é um filão a ser explorado. Menção honrosa à cor do Rubicon: cor de goiaba (dã), turvo, meio sujo e extremamente pouco convidativo. Inglês, como já foi dito.


Irn-Bru

Refri tipicamente infantil, ou seja, doce até não poder mais e sem sabor definido. A SEu-CRU se empenhou arduamente na classificação deste exermplar quanto a este quesito, qual seja, o do sabor. Tem xarope de milho no meio, mas o refri de milho por excelência é a Inca-Cola peruana. Assim, e tendo em vista o número descomunal de conservantes em sua fórmula, que em inglês se chamam preservatives, classsificamos o Irn-Bru como "Suco de Camisinha" (ou Condom Juice, ou Jus de Capote, dependendo da tradução oficial utilizada). Escocês.

Faxe Kondi

Pronuncia-se Faxacôndi. Limão. Meio esbranquiçado no aspecto, e não translúcido como os Sprites e Seven Ups da vida. Tem um gosto de Cebion no fim. Dinamarquês.

Dr Pepper

A SEu-CRU aproveitou para recuperar um atraso de anos. TODO MUNDO já tinha provado o Dr Pepper, MENOS a SEu-CRU. TODO MUNDO tirava onda com a SEu-CRU por ter provado o Dr Pepper e a SEu-CRU não. Pois bem: A SEu-CRU PROVOU O DR PEPPER, BANDO DE INVEJOSOS!!!!! E achou uma bosta. Guarapan é muito mais refri. O retrogosto do Dr Pepper é de doce ruim de festa de criança. Diz o rótulo que é caramelo. A Coca tem caramelo e nem por isso tem esse retrogosto nojento. O retrogosto do Dr Pepper dá boas pistas ao fato dos americanos votarem no Bush, comerem Pizza Hut, beberem Starbucks e saírem dando pipoco na galera em Universidades, Escolas Secundárias e no meio da rua. E depois botarem a culpa na loja de armas que vendeu um arsenal de guerra para um babaca com cara de maníaco. O problema é a loja de armas, não a arma em si? Culpa do Dr Pepper.


Domingo, Abril 01, 2007

Melhor coisa vista no Youtube em todos os tempos



Valeu, Fly, pela ótima dica.

PS: Isto não é um primeiro de abril


Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Tirando a poeira da casa

Então, não sei por que cargas d’água, hoje resolvi reabrir o consultório. Come-backs normalmente são deprimentes. Azar. Fi-lo porque qui-lo.

Então, como perdi a prática dessa bodega, e que resolvi reabri-la sem ter assunto para tanto, deixo tão-somente uma dica de livro: Baudolino, do Umberto Eco.

Forrest Gump misturado com Barão de Munchausen, só que no século XII. Agrada diversos gostos literários. Tem romance histórico, comédia burlesca, discussão teológica, terceira cruzada, intolerância étnica, e tolerância étnica, histórias de amor, sexo, drogas e trombetas divinas. Tudo muito bem amarrado, apesar dos exageros.

Críticas pescadas na net me informam que a reconstrução do período histórico é minuciosa e bem cuidada. Não posso afirmá-lo, pois aprendemos na escola que a Idade Média foi um período de obscurantismo de mil anos. Uma pena. Reconheço que é mais fácil ensinar história em colégio analisando somente os grandes modelos de organização do Estado (ou de reprodução social, ou de acumulação de capital, fica a critério de cada um), e se aprofundando mais no período pós-Revolução industrial. Mas é uma puta sacanagem fingir que durante dez séculos não rolou nada no mundo, sendo que o pau quebrava, em todos os planos. Principalmente porque os alunos acreditam nisso. Eu mesmo passei uma vergonha danada em 1994, ao afirmar categoricamente para a professora de Lógica que do século V ao XV o mundo sofreu sob o véu negro da Idade Média, sendo salvo da escuridão pelo Renascimento. E ela me falou dos renascimentos do século VII, do IX, do XI, do XII e do XIII. Na frente de todo mundo da sala, para meu desespero.

O fato é que eu nunca dei notícia de tais renascimentos, e até hoje tudo o que sei é que nada sei, exatamente nessa formulinha bem anterior à decadência do Império Romano, decadência esta também que não conheço muito bem.

Enfim, o livro retrata, ainda que como mero pano de fundo, um mundo que eu não conhecia. E é muito bom, e vale a leitura. E no final o cara morre. Porque é óbvio que eu ia soltar um spoiler sem avisar aqui, senão qual seria o objetivo de reabrir o consultório?



Alô? Testando! Anybody in home?


Quarta-feira, Outubro 19, 2005

Sonho de Ícaro
Letra e música: Biafra

D G A D
Voar voar, subir subir ir por onde for
G A Bm
Descer até o céu cair ou mudar de cor
G Em
Anjos de gás, asas de ilusão
A D G A D
E um sonho audaz feito um balão
D G A D
No ar no ar eu sou assim brilho do farol
G A Bm
Além do mais amar no fim simplesmente sol
G Em
Rock do bom ou quem sabe jazz
A D D7
Som sobre som bem mais bem mais
G Bm Em Em7
O que sai de mim feito prazer
C Cm G G4
De querer sentir o que eu não posso ter
G Bm Em Em7
O que faz de mim ser o que sou
C Cm7 Cm
É gostar de ir por onde ninguém for
C D Bm C D7 E
Do alto coração mais alto coração
D G A D
Viver viver e não fingir esconder no olhar
G A Bm
Pedir não mais que permitir jogos de azar
G Em
Fauno lunar sombras no porão
A D G A D
E um show vulgar todo verão
D G A D
Fugir meu bem pra ser feliz só no pólo sul
G A Bm
Não vou mudar do meu país nem vestir azul
G Em
Faça o sinal cante uma canção
A D G A D
Sentimental em qualquer tom
G Bm Em Em7
Repetir o amor já satisfaz
C Cm G G4
Dentro do bombom há um licor a mais
G Bm Em Em7
Ir até que um dia chegue em fim
C Cm7 Cm
Em que o sol derreta a cera até o fim
C D Bm C D7 E
Do alto coração mais alto coração


Sexta-feira, Outubro 14, 2005

MADAGASCAR OLODUM
(Rey Zulu)


Criaram-se vários reinados
O ponto de imerinas ficou consagrado
Ranbosalama o vetor saudavel
Ivato cidade sagrada

A rainha Ranavalona destaca-se
Da vida e da mocidade
Magestosa negra soberana da sociedade
Alienado pelos seus poderes Rei Radama

Foi considerado um verdadeiro meui
Que levava seu reino a bailar
Bantos, indonesios, arabes
Integram-se a cultura Malgaxe

Raça varonil alastrando-se pelo Brasil
Sankara vatolay faz deslumbrar toda naçao
Merinas povos tradicao
E os mazimbas foram vencidos pela invencao

ihê ihê ihê
Sakalavas oná é
ihá ihá ihá
Sakalavas oná á

Madagascar ilha
ilha do amor
E viva Pelourinho
Patrimonio da humanidade
É Pelourinho, Pelourinho
Palco da vida e nas negras verdades

Protestos, manifestacoes
Faz Olodum contra
Aphartheid juntamente com Madagáscar
Evocando igualdade liberdade a reinar

ihê ihê ihê
Sakalavas oná é
ihá ihá ihá
Sakalavas oná á

Madagascar ilha
ilha do amor
E viva Pelourinho
Patrimonio da humanidade
É Pelourinho, Pelourinho
Palco da vida e nas negras verdades

ayêêê Madagascar olodum
ayêêê eu sou arco-íris de Madagascar


Segunda-feira, Julho 25, 2005

Rápida

Desnorteado ainda com as denúncias de corrupção no governo (cada vez mais fortes e menos transparentes), deparo-me com a notícia de que a secretária do outro quer dois milhões de real para posar nua. Até aí, nenhuma novidade. Nessa republiqueta de bananas (palavras do mandatário da nação), o golpe da Playboy ainda é uma das únicas maneiras de uma mulher se destacar na mídia. O povo nem quer saber o que ela fez ou deixou de fazer. O povo quer peitinhos e pelos pubianos.

O que escandaliza nesse caso é a finalidade que a moça quer dar à bufunfa: usar como fundo de campanha própria ao Congresso Federal. O Estadão entrevista o advogado da jovem senhora:

"Para se candidatar, ou tem que ser milionário ou é na base da corrupção. Eu até brinquei com ela que seu slogan poderia ser: antes nua do que corrupta".

O que tem o cu (que pode até ser bonito ou corrigido a golpes de Photoshop) a ver com as calças? O que credencia uma secretária de mafioso a se lançar na política? Que que essa mulher fez até hoje na vida para se considerar apta a representar a população de um país na casa legislativa do mesmo?

O disparate é tamanho, que na sequência do artigo o tal advogado tem a cara-de-pau de permitir a publicação do seguinte:

"O partido ao qual o Karina irá se filiar ainda não foi definido. Já houve conversas, segundo Pimenta, com o PSDB, mas não se chegou a uma conclusão. "Pode ser qualquer partido, desde que tenha consistência e um bom programa social. O que ela quer é acabar com a corrupção, porque isso faz com que falte dinheiro para investir na saúde, educação, saneamento básico", explicou".

Oportunismo é pouco para descrever tal presepada. Depois causa espanto o desinteresse na política...


Segunda-feira, Maio 30, 2005

Seqüência de noites surreais com meu irmão - Parte 3

Num belo dia - ou num belo fim de dia, eram ali pelas oito horas da noite e o sol ainda brilhava etc. e tal - abri as portas de meu castelo de 15 m² para uma pequena confraternização. Meus pais, meu irmão, uma amiga e o Matheuzim (vide post Conversa de surdos) vieram tomar um vinhozinho e comer deliciosos petiscos compostos de amendoim e só.

O que era para ser uma convivial festinha entre amigos degenerou gravemente. A falta de sustança dos petiscos levou a turba enfurecida a ficar bêbada. Dadas as dez badaladas noturnas, resolvi que deveríamos acabar com a festa, ou meu vizinho afro-africano de grandes proporções dar-me-ia uma surra memorável ou, pior ainda, faria um boneco vudu para me espetar em suas noites de insônia. Para não dar motivo para essa maldição um tanto gay, resolvi para o bem geral e minha incolumidade física pessoal que o melhor a fazer era acabar a festa.

Mas o álcool já tinha feito das suas. Obviamente não seria possível parar por ali com a bebelança. Enquanto meus pais voltavam ordeiramente para o hotel onde estavam hospedados, os demais componentes dessa historinha se dirigiram ao ponto de ônibus, não sem antes comprarem garrafas e garrafas de vinho e cerveja, no intuito puro e simples de continuar a gorozagem na casa de um outro amigo, que por sua vez estava fazendo uma festa, e lá não tinha afro-africanos (nem franco-franceses, nem sino-chineses, nem etc-etceteras) mal-humorados com tendências homossexuais para atrapalhar a folia da moçada.

Mas a seqüência surreal da noite não aconteceu nessa festa (enfim, aconteceu, mas meu irmão me proibiu de contar a parte em que ele deu o kit-vexame-completo; se o leitor o conhecer, pode perguntar-lhe diretamente. Senão, dançou, já era, nunca vai ficar sabendo). Pegamos o ônibus, naquele estado acima do tom e do volume em que os bêbados falam. Papo pra lá, piada pra cá, risadas demenciais, o show de sempre. Lá pelas tantas, a amiga me pede pra falar francês (ela morava em Londres, e, como toda menina, adoooora francês). Viro para ela e digo:

- Vou fazer melhor. Vou recitar um poema em francês. Cê vai dar pala. Segura aí:

(Abre paréntesis)

Bernardo, o mestre dos magos da língua francesa, me ensinou um poeminha justamente para tirar onda com a mulherada que adoooora francês. Vou escrever nas linhas que se seguem o poema, a fonética do poema e a tradução do poema, pra vocês entenderem a parada.

(Fecha parêntesis)

1 - O Poema

Pie a nid haut
Caille a nid bas
Chat n’a nid
Ni haut ni bas

2 - O som do Poema

Piá Niô
Caia Nibá
Xananí
Niô nibá

3 - A tradução do Poema

O pica-pau* tem o ninho alto
A codorna tem o ninho baixo
O gato não tem ninho
Alto nem baixo.

* tradução aproximativa

Pois bem. A moça que pediu pra falar francês ficou com uma cara meio decepcionada, meu irmão e o Matheuzim caíram na gargalhada, e enquanto eu explicava para a moça o porquê da brincadeira, um outro afro-africano de grandes proporções, que estava desde o início no balaio, começa a me injuriar escandalosamente, numa língua indecifrável, mas cheia de vogais e bem parecida com o poema. Com o dedo em riste no meu nariz, ele vociferava, cada vez com mais veemência. "Vou tomar porrada", pensei. Ainda olhei para os amigos, para ver se eles me ajudavam na situação. Cada um mais horrorizado que o outro. E o pior era que eu tinha vontade, ao mesmo tempo, de me justificar para o cara, para afastar qualquer mal-entendido, de mandá-lo à puta que o pariu por ficar pagando pau à toa (além de prestar atenção em conversa alheia, mesmo que a gente estivesse conversando aos berros), e de rachar de rir com a situação toda. No entanto, tudo o que eu consegui dizer foi "Calma, senhor, eu não fiz nada de mal". O que o deixou mais emputecido ainda.

Para o bem geral e minha incolumidade física pessoal de novo, o camarada desceu no ponto seguinte, ainda com o dedo em riste, e continuou xingando até que o perdêssemos de vista. Pena que eu não entendia sua língua, teria aprendido uns quinhentos palavrões diferentes.

E a noite surreal ainda estava nos primórdios...